Uma homenagem ao montanhista Carlos Bernardo

Por Renato Moura


Quando me pediram para falar do amigo Bernardo, no dia em que receberia o título de sócio benemérito no clube, senti que seria muito fácil. Eu poderia falar a noite toda do amigo, mesmo sem jeito e envergonhado como sou para falar em público.


O amigo Bernardo começou sua vida no montanhismo sem ter conhecimento que já era um montanhista. Ainda criança, com seus ternos 5 anos, acompanhava seu pai cuidando do gado e os levando para distantes pastagens, fazendo grandes travessias na antiga Vila Meriti.



Quando tornou-se rapaz, aos 13 anos, gostando muito de aventuras no ambiente natural, tentou entrar para um grupo de caçadores que atuavam principalmente na serra do Tinguá. Mas sem jeito para a caça, sem conseguir dar um tiro sequer, foi então descoberto e banido do grupo. Mas manteve suas mãos limpas do sangue de animais indefesos.


Fez várias excursões sozinho, pois não tinha conhecimento da existência de clubes de excursionismo. Contou-me que em certa época ele admirava as montanhas de longe. E nessa distância elas pareciam azuis. Ele começava a caminhada e, na medida que ia se aproximando, as montanhas se tornavam esverdeadas, até que ele penetrasse em suas matas e pudesse constatar as densas florestas.


Até que em 1973 encontrou o primeiro clube, o Cerj (Centro Excursionista Rio de Janeiro), onde foi acolhido pelos guias Salomith, Carlos Russo e outros. Foi o primeiro dos muitos que passou frequentar. Formou-se guia montanhista/escalador pela antiga federação.




Além de grande amigo de todos, sempre contribuiu muito para os clubes com seus préstimos de guia, orientador, e com serviços de bombeiro encanador e eletricista. Sua família são seus amigos de montanha. Seu lar são as rochas. 


Um fato que me marcou muito, dentre muitos que me recordo como exemplo, foi uma vez que ele viajou para Milagres, na Bahia. Mais ou menos dois dias de ônibus para ir trocar um grampo de uma via que não estava visualmente seguro. Chegou já era noite. Escalou, trocou o grampo, passou a noite toda na cidade e como o ônibus para o Rio só sairia de tarde, fez cume de montanhas vizinhas para aproveitar o tempo e depois mais dois dias de volta... 


No carnaval e Semana Santa de 1998 fomos, eu e Bernardo, escalar uma via de 1975, na pedra Forno de Bolo, na cidade de Pedra Azul, Minas Gerais. Tive o prazer de fazer a primeira repetição após 24 anos de sua conquista. Depois da repetição excursionamos pela chapada da diamantina e por final subimos o Monte Pascoal, na Bahia. 


Particularmente sou muito grato ao Bernardo. Como sempre lhe digo, ele é o meu pai no montanhismo. Teve, e tem, muita paciência para me ensinar a engatinhar, dar meus primeiros passos, bater meu primeiro grampo, escolher e traçar uma boa via.



 Outro dia ele me ligou para grampearmos uma parede de uns 600 metros que fica a mais ou menos 1200 Km do Rio. Com uma simplicidade que confesso que adoro, como se fosse para fazermos a repetição de uma via no Pão de Açúcar.


Esta, realmente, é apenas uma pequena homenagem para o grande montanhista Carlos Bernardo. Sei que a justa homenagem para um guia é ver suas excursões cheias de participantes e também suas vias sendo sempre repetidas. Muito obrigado por tudo amigo.  


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