No Eiger

Por: Audrey Salkeld, CLIMBING Magazine, Nº 172, Extraído do artigo "JIGSAW"

Traduzido por: Paulo Miranda


Em 20 de julho de 1938, Henrich Harrer encontrou seu parceiro de escalada, Fritz Kasparek, nos campos acima da cidade Suíça de Grindelwald. Acima deles, erguia-se a infame e ainda não conquistada face norte do Eiger, de 1.524 metros de altitude. Porém, eles não eram os únicos com planos em relação à ameaçadora parede. Dois outros austríacos, Rudi Fraissi e Leo Brankowsky, estavam acampados próximos a eles, além de rumores da presença de uma forte dupla alemã na área. Duas semanas antes, dois italianos tinham sido pegos por uma tempestade quando encontravam-se num ponto bem adiantado na parede. Seus corpos foram encontrados aos pés da "face da morte" (mordwand - como é conhecida a face norte do Eiger).


Sem deixarem-se intimidar, Kasparek e Harrer partiram de madrugada. Ao amanhecer, encontraram com os dois alemães, Andri Heckmair e Ludwig "Wiggerl" Vörg, arrumando o equipamento após o bivaque próximo ao Pilar Destruído (Shattered Pillar). Os austríacos impressionaram-se com o equipamento dos alemães: dúzias de pitons para gelo e rocha, mosquetões, dois piolets (sendo um pequeno), um martelo e novíssimo crampon de 12 pontas. Em contraste, Harrer não tinha trazido crampon, acreditando, erradamente, que o Eiger seria uma escalada em rocha. Consequentemente, ele teve que atravessar cuidadosamente as inúmeras banquisas e "correntes" de gelo.


Heckmair disse à Harrer e Kasparek que o tempo estava piorando e que eles deveriam levar em consideração uma retirada, decisão que ele e Vörg planejavam tomar. "Nós continuaremos", Kasparek declarou teimosamente. Neste momento, Fraissi e Brankowsky surgiram da neblina. Fiéis a suas palavras, a dupla alemã desceram, mais a medida que desciam o tempo ia melhorando e logo alteraram sua decisão. Enquanto isso, Fraissei e Brankowsky tiveram que se retirar depois que um deles foi atingido portam pedra.


Harrer e Kasparek continuaram a escalada, mas gelo em abundância tornava a subida mais lenta do que eles esperavam. Porém, seus ânimos mantinham-se elevados e neste aparecer, junto com os últimos raios de sol, num bivaque acima da Rote Fluh (n.t: visto debaixo, é uma parede escarpada que se avulta ameaçadoramente em negativo - Retirado do artigo "Climb of the Goes"/Climbing Magazine/ Nº 169/ pág. 71/ por David Pagel), cantaram, com o vale de Grindelwald sob seus pés. Na manhã seguinte, Harrer percebeu dois pontos subindo bem rápido pela Segunda Banquisa (Second Icefield). Eram Heckmair e Vörg, que os alcançaram no Ferro Plano (Flat Iron) onde, diz Harrer, "nós decidimos escalar juntos". Com Heckmair quando com crampons, os quatro fizeram um ótimo progresso.


Esta parceria foi uma parceria bem vinda para Harrer e Kasparek - em seu cento avanço, os dois austríacos seriam pegos por uma tempestade que se formava - e atualmente, Harrer tem consciência de que ele e Kasparek deveram suas vidas à Heckmair e Vörg. Enquanto isso, Heckmais diz que sua intenção original era alcançá-los e deixá-los para trás, "mas Vörg tinha uma natureza mais doce do que eu e disse "nós não podemos abandoná-los, você sabe".


Depois  do quarto bivaque, o grupo passou duramente pela Fenda de Saída (Exit Cracks) numa nevasca crescente. No cume, completamente encoberto devido à tempestade, Heckmais quase caminhou além de uma saliência que se projeta do outro lado da montanha. Pouco foi dito no cume açoitado pela tempestade. Os vitoriosas mal se congratularam e imediatamente começaram a perigosa descida pelo flanco oeste, Harrer, contrário à algumas versões, não desfraldou, no topo, a bandeira nazista que ele tinha levado em sua mochila. Hoje, Heckmair diz que teria discutido com Harrer caso tentasse plantar uma bandeira alemã num pico Suíço. 


Como consequência da conquista da face norte do  Eiger, Harrer, Heckmair, Vörg e Kasparek saborearam a condição de celebridades até que as nuvens da 2º Guerra Mundial encobrissem a Europa. Vörg foi morto na frente russa em 1941. Kasparek morreu numa greta no peru em 1954. Heckmair, hoje com 91 anos, e sua mulher, Trudl, caminham pelas colinas por 2 a 3 horas. Mantém uma postura apolítica e não se importa com o passado ou com o futuro: "O importante é agora", diz. Harrer, 85 anos, entrou em reclusão. 



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