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11/07/1999 | Montanhismo na Suíça com Renatão

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Por: Thomas Good

- Qual é a direção que a gente deve tomar?

- Sei lá, não da para ver nada mesmo!

De novo esse tempo nos Alpes, tão instável como as afetividades duma mulher. Agora mesmo faz um tempo que eu chamo "tempo de vidro de leite": branco, cinza, nebulosíssimo, nevando com um vento muito forte, a temperatura menos zero. A situação não é nada sem perigo. Renatão e eu estamos no lado sudeste da Suíça, no maciço Bernina, no meio de um terraço de glaciar, cercados de fendas, procurando um caminho para a cabana "Marco e Rosa", que deveria estar há uma hora de nós.

Essa cabana é situada numa altitude de quase 3600m, no centro desse maciço, rodeada de cumes famosos como o Piz Bernina, Piz Rosegg, Piz Palu, Bellavista... ao limite entre a Suíça e a Itália. Voltando à nossa situação delicada, com a bússola e estes mapas precisos (para mim uma obra de arte) a gente procurou cautelosamente a via nessa sopa branca sem nenhum ponto de orientação, sempre verificando a altitude e a direção. Cada sombra que surgiu, fez acreditar que a gente já teria encontrado a cabana. Sempre nos enganamos. Pareceu um presente do céu reconhecer, finalmente, os contornos da cabana.

Nos Alpes da Suíça existem cerca de 300 cabanas, umas com um conforto de um hotel, outras bem primitivas. Na alta estação a maioria delas tem um porteiro que sabe de tudo, de cozinhar, consertar, à administrar. Muitas vezes ele é guia ou conhece bem as condições nas montanhas dos arredores. Nesse final de semana, a nossa cabana estava lotada pra caramba, com pessoas de todo o mundo: ingleses, italianos, espanhóis, alemães, suíços e, no mínimo, um brasileiro.

Perto da cabana estava um helicóptero, que não podia decolar por causa do vento forte. No dia seguinte houve um tempestade forte e por causa disso aconteceu um acidente grave com duas vítimas de raios e dois feridos que precisaram de assistência num hospital.

Dois dias mais tarde a gente foi embora para a travessia do Piz Palu. O tempo estava magnífico. Essa travessia tem uma extensão de 11km, sempre numa altitude entre 3600m e 3900m. Para mim, um Suíço da parte plana desse país, pouco treinado, era uma excursão bem pesada. O Renatão, "o pulmão brasileiro", percorreu essa via facilmente.

A primeira parte era uma escalada duma crista rochosa (fácil) e depois alternaram-se costões e cristas de gelo, às vezes bem expostas. Não me lembrei mais das horas que a gente estava no caminho, só curti este mundo fantástico das montanhas geladas.

Eu poderia ainda relatar outras aventuras, como a escalada ao cume de Pizo, Balsetto no granito ouro-amarelo do Bregaglia ou escaladas nos pré-alpes na rocha calcária ou... quem sabe uma outra vez. Agradeço ao meu amigo Renatão por ter vivenciado essas emoções. Espero que tenhamos uma outra oportunidade para outras escaladas na Suíça!

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Piz Bernina - Foto: Internet