Novo século e milênio sem acidentes
Por Por Gustavo Loureiro
No fim de semana do 09 e 10 de dezembro, estive na Urca levando uma amiga da Lista HangOn para escalar, pois ele era de Sampa. Gabriela escala muito em muro (Indoor) e nunca tinha escalado em rocha. Resolvi levá-la aos coloridos onde as escaladas são bem fáceis e menos verticais, pois não queria arriscar colocá-la "na roubada" (Cavalo Louco, Italianos ou Urubu), onde ela ficaria com a idéia de que toda escalada seria difícil.
Fomos então para a base do Infravermelho e ao lado, duas pessoas fariam o Arco-íris. Foi quando ela perguntou:"- Como visto a cadeirinha?" Os caras me olharam com um olhar crítico e devem ter achado que eu teria problemas durante a escalada. Escalamos rápido e bem e quando chegamos perto do último esticão, um outro grupo estava fazendo rappel e então notei o primeiro problema.
Devia ter uns dois meses que um jovem havia sofrido um acidente fatal na Via dos Italianos e parece que nada aconteceu. Custa perder alguns minutos e ganhar alguns anos de vida fazendo um nó na ponta da corda? Pois é, o grupo que estava lá não o fez. Nada aconteceu, mas eles contaram com a sorte e poderia ter sido fatal.
Logo que o grupo passou por mim, continuei para terminar a última enfiada e quando estou quase chegando na grutinha do infra, vejo um menino tentando ouvir as instruções do pai (participante) para fazer uma parada, pois segundo ele, não tinha grampo onde ele estava. Enquanto o menino buscava um galho de árvore eu olhei e vi um grampo atrás do garoto. Avisei sobre a existência do tal grampo (que até então não existia) e então ele se ancorou. Por que o pai não levou o garoto em uma via que ele pudesse orientar o seu filho na guiada, ou então, não mostrou um croqui?
Quando começamos a fazer o nosso rappel, lá pelo terceiro rappel, vimos um outro grupo no Arco-íris (não era o mesmo grupo que estava conosco na base). O guia escalava com muita adrenalina e fez uma parada muito ruim para chamar seu participante que estava no meio da cordada, pois ainda tinha uma terceira pessoa escalando.
Terceiro e último erro: O inoperante dava segurança ao participante com o oito na cadeirinha, mas de uma forma absurda. Ele sentou na parede para ver o participante subir e além de deixar uma barriga muito grande (podendo causar uma queda de guia ao participante), ele não direcionava a corda que saía do oito para trás. Resumindo, o cidadão cometeu um grande erro.
Qualquer livro ou página na internet avisa que o esporte deve ser acompanhado de uma instrução competente. Levei isto muito a sério e gostaria de agradecer aos que me formaram e posteriormente adicionaram a minha pessoa, a cada dia, conhecimentos que tornam a prática do montanhismo mais segura.
Fiquem ligados SEMPRE e abraços a todos.
